Filme: Verdade ou Consequência

 
Jason Blum é o homem do momento em Hollywood. Produziu há uma década o que se acabaria por tornar na revolução do cinema de terror modernos e alguns dos seus sub-géneros, como o found-footage Actividade Paranormal. Mais recentemente viu um dos seus maiores sucessos nomeado em quatro categorias para os Óscares, Foge, tendo vencido o Óscar de Melhor Argumento Original, pela mão de Jordan Peele, que também realizou. 

Tudo parece estar bem encaminhado para a sua produtora, Blumhouse, com o hit de entretenimento Feliz Dia Para Morrer ter provado que existe lugar para ideias do género.
 
É aqui que entra Verdade ou Consequência, um filme que pega num conceito juvenil popular e mete à mistura uma boa dose de terror.

As Escolhas da Vida em Verdade ou Consequência

Com realização de Jeff Wadlow (Kick-Ass 2: Agora é a Doer), o filme conta a história de Olivia (Lucy Hale) e o seu grupo de amigos, que vão passar férias ao México. Por lá encontram Carter (Landon Liboiron), que os leva para uma igreja abandonada e os desafia a jogar Verdade ou Consequência, revelando que agora que eles estão na partida, a maldição irá os perseguir até casa e terão que fazer como o jogo mandar.
 
Quando voltam a casa, rapidamente descobrem que a maldição é real, como também as suas consequências serão igualmente reais.
 

Eles Não Jogam O Jogo, O Jogo É Que Joga a Eles

É esperado, à partida, que o espectador deixe a sua incredulidade à porta. Afinal, um ser sobrenatural maldito, possuir jovens que jogam um jogo infantil não é exactamente algo normal.
 
Mas o grande problema é esperarmos um Q.I. mínimo para que estes jovens tenham uma verdadeira chance para lutar contra seja o que esteja a dominar o jogo e que quer a todo o custo ver os seus jogadores falhar.
 
As situações propostas são das mais típicas, como revelar segredos ou concretizar acções embaraçosas, mas, à medida que o jogo procede, quer se escolha verdade ou consequência, mais perigosos são os desfechos.
 
O problema reside na forma de pensar das personagens, que elas próprias representam os clichés tradicionais do terror Norte-Americano, que muito frequentemente, levam as mãos do espectador à cara.
 

As Consequências de Ser Jovem

Verdade ou Consequência, no papel, é um filme com uma boa ideia, sem dúvida. Nos seus momentos mais abstractos, quando a premissa se foca no principal que é o jogo e o seu conceito, as coisas funcionam bem. Infelizmente, no ecrã, a sua execução foi reduzida a um filme cujo objectivo é meramente de entretenimento, não explorando de forma quase nenhuma aquilo que faz este jogo de festa algo aterrador. Quando as consequências não são levadas a sério por eles, como esperam que sejam por nós, espectadores?
 
Na verdade, este filme teria sido muito melhor se soubesse por que lado queria pegar um conceito que realmente é uma boa ideia. No fim, ficamos apenas com execuções de meias ideias que foram mudando ao longo destes 100 minutos, sem grande necessidade.
 
Quando a esta altura do campeonato se esperava melhor de Blumhouse, mesmo que não fosse mais uma obra-prima para ser nomeado aos prémios, é assim que damos um passo para trás depois de dois para a frente. Esperemos que a prequela The First Purge ou o terceiro remake de Halloween valham mais a pena, ambos produzidos por esta casa de terror e ainda a estrearem este ano. 
 
 

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