Filme: Terminal

É difícil ser-se criativo em Hollywood, sobretudo quando se tem uma visão especifica. Entre grandes estúdios se envolverem nas decisões criativas, à sensibilidade fazer um filme genérico suficiente para atrair as massas, quando se tem uma ideia diferente, existe uma maior dificuldade em atrair público.

Entra Terminal, a estreia de Vaughn Stein, que claramente tem boas ideias, mas cuja execução não foi inteiramente positiva.

Contratos Com a Morte

Terminal conta com Margot Robbie no papel de Annie, uma femme fatale cujo grande plano envolve dois mafiosos, Vince (Dexter Fletcher) e Alfred (Max Irons), à procura do próximo trabalho; e Bill (Simon Pegg), um homem à beira da morte que se vê entretido na conversa enquanto espera que algo apareça para acabar com a sua miséria.
Enquanto que tudo decorre numa noite, somos confrontados com um conto de história de forma não-linear, conhecendo as motivações por detrás das acções dos protagonistas e, no fim, o seu destino final. Ah, e passa-se tudo num terminal de comboios, como indica o título.

Voltas e Reviravoltas

Percebendo-se a atracção pela narrativa, é possível se ver que realmente existiu algum esforço em se criar um universo onde as consequências tenham um impacto que noutras circunstâncias não fariam sentido. Desde das recriações das formas que Bill contempla morrer, ao grande esquema por parte de Annie, há coisas que vão muito para além do destino ou as coincidências felizes.
No outro lado da moeda, Terminal é extremamente bonito de se ver. Na verdade, pondo o filme em silêncio, ficamos com um festim visual fascinante, repleto de cores neon, um guarda-roupa cuidadosamente escolhido e algumas cenas interessantes pelo meio.
Claro, que o problema é quando abrem a boca e atiram diálogos ao ar que parecem escritos em cima do joelho.

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Ao fim de hora e meia de filme, vendo Margot Robbie passar por meia dúzia de moods, percebemos que existe uma ligeira complexidade, que no fundo tenta disfarçar uma inspiração demasiado próxima daquilo que quer homenagear.
É difícil criar qualquer tipo de laço de empatia por Terminal, pois é um filme cujo invólucro colorido esconde dentro dele uma caixa cheia de formigas que podia ter sido melhor aproveitado e ser um filme noir minimamente competente.
Assim, Terminal não é mais que eye-candy cinematográfico, com muito esplendor e pouco conteúdo.

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